quarta-feira, 4 de junho de 2008

Eu adormeci com chuva. A água batia na minha janela e o clarão dos relâmpagos, tãos caros aos meus próprios vendavais (adoro tempestades!!!), pareciam fazer um balé desordenado. Os carros rarearam nas ruas, quase não se ouvia movimento, e eu fiz de conta que era inverno. Pq aqui faz calor, viu? Vixe!!!

Ontem, primeiro dia inteiro da viagem, fomos fazer uma visita à cidade. Delhi, enfim, se desnudava. Assim que eu saí do carro, onde estava protegida por um providencial ar-condicionado, trancei as pernas, o corpo reagiu automaticamente e a pressão foi lá pra baixo. Para não pagar micos ou dar trabalho desnecessário a quem está me acolhendo tão bem, tratei logo de comprar o "electron", um pó repositor de sais mineirais que se coloca na água (dica da Dani e do Elson). É ruim demais da conta, maninho! O lado bom é que fiquei inteira pelo resto do dia.

Andamos de riquixá pela Old Delhi. Incrível. Os cheiros se misturam, um pandemônio olfativo: curry, incenso, suor, gordura, flores...parece que dá pra tocar cada um deles. E cores, cores, cores de estourar os olhos, de fazer reaprender a ler o mundo. As mulheres estão sempre cheia delas, em seus saris, usados pelas casadas, ou os punjabi dress, conjunto de bata e calças largas, roupa das solteiras (hj a coisa está mais moderna e tudo se mistura, claro, principalmente numa grande cidade como esta).

O trânsito é mesmo uma loucura, mas não sei se por devaneio, se pelo preparo para a viagem, eu não tenho medo. Sei que nada vai acontecer. Como diz a Fernanda, minha fiel escudeira, os carros são protegidos por um campo magnético :-). As pessoas são simpáticas mesmo, doces. Há crianças nos sinais e mendigos pela rua, como em toda periferia, e se oferece de tudo: henna para as mãos, flores, panos de prato.

No mercado popular, típico dos indianos e onde tudo é barato, a ordem é regatear o preço, coisa que eu não sei mesmo fazer. A Fernanda faz isso e muito bem! É uma arte da sobrevivência. As comidas são feitas na rua, sob o sol escaldante, e o sorvete cor de rosa é bem convidativo, mas eu fiz muitas promessas de que não comeria nada fora do hotel, e pelo menos por hj (ontem) eu cumpri! hohoho.

Os livros tb são baratos. Comprei alguns de culinária para a nossa produtora de arte, dicionários inglês-hindi para as cenas, histórias infantis e livros didáticos. Ainda quero levar algo sobre a história.

Ainda me perco nas rúpias, mas vou aprender. A maneira mais simples de pensar nisso é assim: o preço em rúpias dividido por 20. Pronto! Aí está o valor em Reais.

Às 7 da noite, quando voltei para ao hotel, senti todo o cansaço do dia, das descobertas. O programa noturno foi uma super balada: eu, a cama e um livro (sobre a Índia, claro!). Adormeci com a sinfonia da chuva e acordei de madrugada, pronta pra mais um dia de atividades. Hj vou até a Ramakrishna Mission. Depois farei algumas entrevistas com pessoas que fazem serviços comuns, motoristas, cozinheiras. Na parte da tarde, tenho uma reunião com o Embaixador. O final do dia será sobre culinária - entrevistarei um chef indiano.

Namastê!

Ruas de Delhi

Comidas preparadas no mercado popular

Auto-riquixás. Ou "tuc-tucs"

Deuses

Trânsito de riquixás

Crianças em Old Delhi

Old Delhi

2 comentários:

Anônimo disse...

Gi,

Me conta ai hoje na Índia o que vai acontecer aqui ontem no Brasil ?

*Muito além da percepção mundana* disse...

Giooooo,

Que fascinante e que lindo é ler como vc escreve, fia vc escreve muito bem, parecia que eu estava sentindo aqui tudo que vc sentiu ai, incrivél como vc descreve esse país e fico aqui imaginando vc ai, nessa incrivél Índia.

Namaste


Mara Lígia